{"id":13896,"date":"2011-03-18T17:28:54","date_gmt":"2011-03-18T20:28:54","guid":{"rendered":"http:\/\/108.167.132.53\/~umbra975\/?p=13896"},"modified":"2019-04-16T15:35:42","modified_gmt":"2019-04-16T18:35:42","slug":"o-rosto-marial-da-igreja-a-mae-do-senhor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.tdzain.net\/umbrasilv2\/o-rosto-marial-da-igreja-a-mae-do-senhor\/","title":{"rendered":"O rosto marial da Igreja \u2013 A M\u00e3e do Senhor"},"content":{"rendered":"<p style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #3f6e9d;\" href=\"http:\/\/www.tdzain.net\/umbrasilv2\/\" rel=\"attachment wp-att-1058\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-1058\" title=\"DSC04529\" src=\"http:\/\/www.tdzain.net\/umbrasilv2\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/DSC04529-225x300.jpg\" alt=\"\" width=\"225\" height=\"300\" \/><\/a>O Documento do XXI Cap\u00edtulo geral caracteriza-se por uma presen\u00e7a muita densa da M\u00e3e do Senhor. Encontramos Maria quase em todas as p\u00e1ginas. Ela esteve t\u00e3o pr\u00f3xima, que os Capitulares se viram como mergulhados num sonho, revivendo a experi\u00eancia dos disc\u00edpulos de Ema\u00fas: \u201cTodos sent\u00edamos o cora\u00e7\u00e3o a arder!\u201d (Doc. do Cap., p. 24). Esses cora\u00e7\u00f5es ardentes sentiam nascer em si energias para um novo estilo de miss\u00e3o, mais generoso, mais entusiasta e, ao mesmo tempo, o desejo de pertencer totalmente ao Senhor. O sonho dos capitulares traduzia-se no apelo fundamental: \u201c<em>Com Maria, ide depressa para uma nova terra!<\/em>\u201d Sonho cheio de energia, puro dom do mesmo Esp\u00edrito que descera sobre Maria.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Assim orientava-se o Instituto e os Irm\u00e3os: tornar-se novos, jovens, generosos para partir com Maria para uma nova terra: um novo modo de ser pessoas de Deus, um novo modo de testemunhar o Senhor e de ser dispon\u00edveis para novas miss\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">A palavra do Superior geral, o Ir. Emili Tur\u00fa, apresentando o Documento do XXI Cap\u00edtulo geral, convidava Irm\u00e3os e Leigos maristas a n\u00e3o interromper o di\u00e1logo, com o t\u00e9rmino do Cap\u00edtulo\u2026 Ao contr\u00e1rio, todos n\u00f3s dever\u00edamos \u201csentir-nos interpelados a prosseguir no caminho da escuta e do di\u00e1logo, aprofundando o apelo do Senhor para o Instituto marista, hoje\u201d (Doc XXI Cap., p. 5). Essas linhas manifestam o desafio de continuar dialogando.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">No entanto, surgia entrementes um novo centro de aten\u00e7\u00e3o, indicado por nosso Superior geral: \u201c<strong><em>Evidenciar o rosto marial da Igreja<\/em><\/strong>\u00a0e n\u00f3s, \u2018Pequenos Irm\u00e3os de Maria\u2019, encarnar esse rosto de modo que, na Igreja, se manifeste claramente.\u201d O Irm\u00e3o Emili recordava a imagem da qual Jo\u00e3o XXIII se havia servido para descrever a Igreja: \u201cUma fonte em pra\u00e7a p\u00fablica\u201d, local para matar a sede de verdade e de comunh\u00e3o, \u201cimagem que bem exprime\u00a0<em>o rosto marial da Igreja<\/em>\u201d.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Ainda que a express\u00e3o \u00ab\u00a0<strong><em>rosto marial da Igreja<\/em><\/strong>\u00a0\u00bb n\u00e3o compare\u00e7a no Documento do XXI Cap\u00edtulo geral (e que a pr\u00f3pria Igreja esteja pouco presente), essa realidade aflora frequentemente, porque se conjuga com o apelo fundamental: \u201cCom Maria, ide depressa para uma nova terra!\u201d Assim, na p\u00e1g. 20, quando se trata de reconhecer a voca\u00e7\u00e3o do \u201cleigo marista\u201d, \u00e9 dito que formamos \u201cjuntos<em>uma Igreja prof\u00e9tica e marial<\/em>\u201d. A p\u00e1gina 15 j\u00e1 nos convidara a algo mais profundo: \u201cEnquanto irm\u00e3os e irm\u00e3s, tornar presente esse amor e\u00a0<em>esse rosto materno de Deus<\/em>.\u201d Em Maria, manifesta-se o amor mesmo de Deus, um amor maternal mais forte do que o amor das m\u00e3es: \u201cPode a mulher esquecer seu filho, pode ela esquecer-se de manifestar sua ternura ao fruto de sua carne? Mesmo se ela fosse capaz disso, eu n\u00e3o te esquecerei jamais!\u201d Esse rosto de Deus se nos manifesta no olhar das crian\u00e7as, em seu sorriso e em suas l\u00e1grimas: \u201c<em>Em seus rostos descobrimos o rosto de Deus<\/em>\u201d (p. 22).<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Outras passagens do Documento (p. 19) convidam-nos a ser\u00a0<em>sinais:<\/em>\u00a0\u201cIrm\u00e3os entre irm\u00e3os, chamados a ser\u00a0<em>sinais\u00a0<\/em>do Reino\u2026 Apaixonados por sermos\u00a0<em>sinais<\/em>\u00a0do amor de Deus\u2026 e chegar a ser\u00a0<em>mem\u00f3ria evang\u00e9lica<\/em>\u00a0para o mundo\u201d. A ora\u00e7\u00e3o que os Capitulares dirigem \u00e0 Virgem Maria afirma que nossa fam\u00edlia internacional \u201cquer ser\u00a0<em>sinal<\/em>\u00a0de comunh\u00e3o na Igreja e no mundo\u201d (p. 29). O Irm\u00e3o que caminha com Maria ter\u00e1 um cora\u00e7\u00e3o mission\u00e1rio e ser\u00e1 \u201c<em>testemunha<\/em>\u00a0de uma experi\u00eancia de f\u00e9 encarnada e alegre\u2026\u201d. Eis me, Irm\u00e3o ou leigo marista, interpelado para ser\u00a0<em>sinal do Reino, sinal do amor de Deus, sinal de comunh\u00e3o, mem\u00f3ria evang\u00e9lica do mundo, testemunha de uma experi\u00eancia de f\u00e9 encarnada e feliz.<\/em>\u00a0Os Capitulares nos relembram nossa voca\u00e7\u00e3o, dif\u00edcil, mas exaltante. Para termos \u00eaxito, \u00e9 preciso colocar-nos na escola de Maria de modo que nossa a\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica seja participa\u00e7\u00e3o \u201cem sua maternidade espiritual\u201d (C 84).<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\"><em>O rosto marial \u00e9 o rosto de Maria que se projeta sobre o rosto da Igreja; mas este \u00e9 constitu\u00eddo pelo grande mosaico dos nossos rostos<\/em>. A Igreja ainda tem um rosto sem n\u00f3s?<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Entretanto, o rosto de Maria n\u00e3o \u00e9 uma realidade primeira; em si, ela \u00e9 o reflexo do amor de Deus. Maria \u00e9 a morada do amor de Deus, nela vive o amor da Trindade. Assim, falar de Maria, em linguagem mais exata, \u00e9 dizer Deus, fonte de todo amor, fonte de toda riqueza espiritual do rosto de Maria e do rosto da Igreja. O come\u00e7o n\u00e3o est\u00e1 nem em Maria nem na Igreja, mas em Deus e no Filho \u201cnascido da mulher\u201d. Tudo quanto podemos dizer positivamente do \u201crosto marial\u201d da Igreja deve ser visto como reflexo do rosto de Deus.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Igualmente dizer Maria \u00e9 dizer \u201c<em>mulher, amor, esposa, m\u00e3e, vida, educadora, respons\u00e1vel, disc\u00edpula, companheira, irm\u00e3, leiga, fiel, capacidade de comunh\u00e3o e de sofrimento<\/em>\u201d. A Igreja mesma \u00e9 tudo isso, porque Maria \u00e9 Igreja e espelho da Igreja. E quando somos chamados a fazer reviver em n\u00f3s o rosto marial da Igreja, deveria aparecer em nossos rostos, em nossas atitudes, a riqueza desses tra\u00e7os de Maria e da Igreja.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Retenhamos alguns aspectos desse\u00a0<em>rosto marial da Igreja<\/em>, de extraordin\u00e1ria riqueza humana.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\"><strong>1-Maria e a Igreja como \u00ab\u00a0<em>mulher\u00a0<\/em>\u00bb<\/strong><\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Consideremo-la no sentido mais teol\u00f3gico e mais nobre. A\u00a0<em>mulher<\/em>\u00a0\u00e9 aquela que foi criada secundariamente, porque ela vem totalmente do Filho, este existente desde toda eternidade, e tamb\u00e9m porque Maria e a Igreja recebem do Senhor a plenitude de seu ser, de sua gra\u00e7a, sua capacidade de amar e de santificar. Como Eva foi formada a partir de Ad\u00e3o, assim Maria e a Igreja, de Jesus. Sem o Senhor elas n\u00e3o s\u00e3o nada; com o Senhor, s\u00e3o tudo.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\"><em>Mulher<\/em>ainda por sua natureza profunda de ser \u201cuma auxiliar que corresponda\u201d ao homem e a Cristo, e ambos podem dizer: \u201cEsta, sim, \u00e9 osso de meus ossos e carne de minha carne\u2026!\u201d (Gn 2, 23).<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\"><em>Mulher,\u00a0<\/em>presente nos momentos decisivos da aventura humana:<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">1-\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Na aurora dos tempos: \u00ab\u00a0Porei inimizade entre ti e a mulher, entre tua descend\u00eancia e a descend\u00eancia dela\u2026\u201d (Gn 3, 15).<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">2-\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Na plenitude dos tempos: \u201cQuando chegou a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido da mulher!\u201d (Gal 4, 4).<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">3-\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Na Hora do Filho: \u00ab\u00a0Mulher, eis a\u00ed o teu filho! \u00bb (Jo 19, 26).<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">4-\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No fim dos tempos: \u00ab\u00a0a mulher vestida de sol\u00a0\u00bb (Ap 12, 1).<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Esse primeiro tra\u00e7o do rosto marial da Igreja reflete-se em n\u00f3s, quando aceitamos de estar em segundo lugar, conscientes de que tudo nos vem de Cristo, que n\u00e3o somos fidedignos a n\u00e3o ser por sua presen\u00e7a, quando os outros veem em n\u00f3s o Filho, o Senhor. Maria e a Igreja deixam que o Senhor plenifique suas exist\u00eancias; elas prop\u00f5em ou manifestam o Senhor, o Senhor que est\u00e1 nelas. O primeiro tra\u00e7o do rosto marial da Igreja \u00e9 aquele que a mostra a servi\u00e7o do Senhor. Mas \u00e9 um servi\u00e7o reciprocamente apaixonante: o Cristo ama a Igreja e a Igreja ama o seu Senhor!<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\"><strong><em>2-O amor<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Outro tra\u00e7o do rosto de Maria e da Igreja \u00e9 o amor. A exclama\u00e7\u00e3o feliz de Ad\u00e3o, quando Deus lhe apresenta a mulher: \u201cDesta vez, eis o osso de meus ossos e a carne de minha carne\u2026! (Gn 2, 23), \u00e9 considerado o primeiro grito do amor humano. \u00c9 um sentimento de alegria, de reconhecimento da igualdade do outro, de sua grandeza, e a consci\u00eancia de uma plenitude. Afirmar a plenitude pela mulher \u00e9 reconhecer o vazio do homem sem ela. Mas essa exclama\u00e7\u00e3o \u00e9 apenas de Ad\u00e3o ou tamb\u00e9m \u00e9 a de Cristo?<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Seria exagerado aplicar isso a Cristo? Em sua realidade humana, certamente n\u00e3o. O que seria Jesus sem Maria e sem a Igreja? Mas \u00e9 uma suposi\u00e7\u00e3o gratuita, porque Deus suscita constantemente o amor entre Jesus, Maria e a Igreja; o Esp\u00edrito age sempre para ser aquele que infunde o amor nos cora\u00e7\u00f5es. Maria e a Igreja nunca recusam seu servi\u00e7o ao Senhor.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Se em nosso semblante os outros l\u00eaem ou enxergam a Igreja, eles a\u00ed descobrir\u00e3o o rosto marial se em n\u00f3s brilharem o amor, o bem-querer, a bondade, a simpatia\u2026 Se Deus nos v\u00ea pelos olhos dos outros, estes tamb\u00e9m deveriam ver que Ele os enxerga por nossos olhos; que Ele os aquece por nossas palavras; que nossas m\u00e3os s\u00e3o suas m\u00e3os quando acariciam; que Ele os abra\u00e7a com nossos bra\u00e7os; que ele alcan\u00e7a seus passos quando os nossos vencem estrada com nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\"><strong><em>3-A maternidade<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Em Maria e na Igreja, a maternidade constitui a caracter\u00edstica do rosto mais celebrada. Maria se imp\u00f5e, sobretudo, como a M\u00e3e de Jesus, realidade extraordin\u00e1ria entre Deus e uma criatura; realidade que amamos ainda mais, porque Maria \u00e9 tamb\u00e9m nossa m\u00e3e. Se os te\u00f3logos \u2013 em sua f\u00e9 elaborada \u2013 afirmam que Maria \u00e9 antes disc\u00edpula, a f\u00e9 do povo ou das pessoas simples, consideram-na M\u00e3e de Jesus e \u00e9 o que tamb\u00e9m faz a liturgia da Igreja, nas diversas festas mariais, e especialmente no Natal: a festa do cora\u00e7\u00e3o. A Igreja tamb\u00e9m \u00e9 m\u00e3e e vive essa realidade nos sacramentos, como tamb\u00e9m quando acompanha seus filhos: em sua capacidade de formar, de informar, de esclarecer, de sustentar, de encorajar, de perdoar e de fazer prosseguir.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Quando dizemos \u2018<em>m\u00e3e<\/em>\u2019, o eco diz \u2018<em>vida<\/em>\u2019; quando dizemos \u2018<em>m\u00e3e<\/em>\u2019, o eco diz \u2018<em>filho<\/em>\u2019. S\u00e3o bin\u00f4mios que caminham juntos. Quando dizemos \u2018<em>irm\u00e3o<\/em>\u2019, o eco deveria dizer \u2018<em>filhos<\/em>\u2019; quando dizemos \u2018<em>irm\u00e3o<\/em>\u2019, o eco deveria dizer \u2018<em>vida<\/em>\u2019. Na maternidade reaparece o amor pelo filho que se expressa de mil modos, mas, ao mesmo tempo, o sentido de responsabilidade, de educa\u00e7\u00e3o, como uma dist\u00e2ncia do cora\u00e7\u00e3o para que o filho cres\u00e7a em todas as dimens\u00f5es e desenvolva sua personalidade \u00fanica. O filho n\u00e3o deve ser uma c\u00f3pia fiel da m\u00e3e, nem de seu educador. A m\u00e3e e o educador ajudam-no a encontrar espa\u00e7os de liberdade e a desenvolver sua pr\u00f3pria personalidade.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">N\u00f3s, Maristas, como educadores, estamos bem conscientes desses dois componentes da maternidade: o amor e a responsabilidade. \u201cPara bem educar um menino \u00e9 preciso, antes de tudo, am\u00e1-lo.\u201d As crian\u00e7as e os jovens que nos procuram devem experimentar toda a simpatia que lhes temos. Ao mesmo tempo, devem dar-se conta que o educador os impulsiona a favor da pr\u00f3pria personalidade e h\u00e1, pois, exig\u00eancias, recusas, quando h\u00e1 desinteresse por seu pr\u00f3prio valor. Entre o educador e o educando h\u00e1 proximidade e dist\u00e2ncia, exemplo e proibi\u00e7\u00e3o de tornar-se c\u00f3pia fiel. O educador deve conhecer as riquezas presentes em quem \u00e9 educando, e proporcionar as condi\u00e7\u00f5es para que a crian\u00e7a e o jovem cres\u00e7am em dire\u00e7\u00e3o de sua personalidade adulta. Maria sabe que n\u00e3o deve fazer de Jesus uma c\u00f3pia sua, mas que Ele \u00e9 irrepet\u00edvel. Por isso, em Can\u00e1, \u00e9 como se Maria o obrigasse a tornar-se pessoa conhecida, como ela; a m\u00e3e perde-o como Filho e outros ganham-no como Messias. Depois de Can\u00e1, Maria segue Jesus; torna-se silenciosa para que o Verbo fale, fa\u00e7a sinais, atraia a aten\u00e7\u00e3o e caminhe para o Calv\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">N\u00f3s tamb\u00e9m poderemos mostrar aos jovens o rosto marial da Igreja, se eles descobrirem em n\u00f3s uma grande capacidade de dar a vida, de d\u00e1-la por eles com generosidade e delicadeza maternal. Ao mesmo tempo, devem poder constatar que lhes abrimos espa\u00e7os de liberdade, para que eles se tornem, na medida do poss\u00edvel, os melhores adultos. Portanto, amor paciente e inventivo, mas tamb\u00e9m responsabilidade, dist\u00e2ncia, diferen\u00e7a, proibi\u00e7\u00e3o de o educando se tornar uma c\u00f3pia fiel, o que seria uma verdadeira aliena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\"><strong><em>4-A capacidade de sofrer<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">O velho Sime\u00e3o, voltando-se para Maria, a m\u00e3e, anuncia que uma \u201cespada\u201d vai atravessar-lhe a alma e toda sua vida. Para uma m\u00e3e isso \u00e9 um sinal de que a vida do filho est\u00e1 amea\u00e7ada. Maria vai dar-se conta muito cedo e logo, igualmente, vai encontrar-se ao p\u00e9 do Calv\u00e1rio; depois ela viver\u00e1, na jovem Igreja, o sofrimento de ver seu Filho \u201cvindo para os seus, mas estes n\u00e3o o receberem\u201d (Jo 1, 11). Da Igreja tamb\u00e9m se exige uma grande capacidade de sofrer. Sofrer pelo amado \u00e9 ainda amar, \u00e9 amar com um amor mais puro.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">De n\u00f3s Maristas, leigos e Irm\u00e3os, requer-se essa capacidade de sofrer, sem a qual o amor risca de ser apenas sentimento. Observar o rosto de algu\u00e9m na prova\u00e7\u00e3o \u00e9 descobrir seu valor profundo, a riqueza de uma humanidade superior. Jo\u00e3o Batista Bellini pintou uma \u2018piet\u00e0\u2019 com uma intensidade humana surpreendente: Cristo morto deixa pender sua cabe\u00e7a para o lado direito, e sua m\u00e3e, que o ampara, aproxima sua boca daquela de seu Filho, muito aberta, como para dar um beijo na morte; ao mesmo tempo a m\u00e3e pega a m\u00e3o do Filho \u2013 m\u00e3o transpassada na m\u00e3o da m\u00e3e \u2013 m\u00e3o levantada \u00e0 altura do cora\u00e7\u00e3o do Filho, para mostrar donde brota a salva\u00e7\u00e3o, onde nasce o amor\u2026 Quando o Filho morre, a m\u00e3e se aproxima ainda mais, faz-se um com o Filho. Grande li\u00e7\u00e3o de humanidade para todos, especialmente para aqueles que, como n\u00f3s, se consideram educadores.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\"><strong><em>5-A Leiga<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Maria \u00e9 uma mulher, uma leiga, m\u00e3e de Jesus, visto como sumo sacerdote pela carta aos Hebreus; e ela \u00e9 tamb\u00e9m m\u00e3e de todos os sacerdotes de todos os tempos. Essa vis\u00e3o de Maria como simples leiga confere muita honra ao povo de Deus. Na Igreja, a gente se torna grande pelo servi\u00e7o e n\u00e3o pelos t\u00edtulos; e, no entanto, quantas vezes a sensibilidade aos t\u00edtulos humilha o povo de Deus! A maior, entre todos os santos, \u00e9 uma mulher, uma leiga.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">A Igreja tamb\u00e9m vive essa situa\u00e7\u00e3o estranha; em sua grande maioria ela \u00e9 constitu\u00edda de leigos e \u00e9 nas fam\u00edlias que germinam as voca\u00e7\u00f5es. Maria est\u00e1 do lado da maioria, do lado dos pequenos da Igreja. Esse povo de Deus vive na Igreja uma maternidade muitas vezes esquecida: em seu seio nascem os crist\u00e3os e germinam todas as voca\u00e7\u00f5es dos disc\u00edpulos do Senhor; aqueles que v\u00e3o para a vida consagrada, aqueles que s\u00e3o ordenados no sacerd\u00f3cio, e a multid\u00e3o imensa dos leigos. Maternidade de Maria e maternidade do povo de Deus.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Talvez isso nos convide, a n\u00f3s Irm\u00e3os e leigos maristas, a ficar pr\u00f3ximos das pessoas, a dirigir-nos a elas na simplicidade das rela\u00e7\u00f5es espont\u00e2neas, a n\u00e3o ostentar sobre o peito as medalhas universit\u00e1rias ou espirituais, a ser pessoas entre outras, com as portas abertas, freq\u00fcentando as pra\u00e7as e as encruzilhadas onde as pessoas se encontram. E ainda, isso combinaria t\u00e3o bem com a virtude da simplicidade que dizemos nossa.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Em nosso rosto, os jovens e as pessoas podem contemplar\u00a0<em>o rosto marial da Igreja<\/em>\u00a0se ali encontrarem as mais belas qualidades da alma feminina, as mil nuances e delicadezas do amor, a maternidade totalmente voltada para a vida, para a crian\u00e7a; o amor temperado pelo sentido da responsabilidade, a arte dif\u00edcil de educar, a consci\u00eancia da liberdade e da unicidade da crian\u00e7a.<em>Rosto marial da Igreja<\/em>\u00a0em que o sofrimento e a fidelidade burilam a nobreza da alma. Tudo revestido de simplicidade: Maria \u00e9 uma leiga, ela sabe manter-se entre o povo. Uma Igreja simples conv\u00e9m ao povo de Deus. Muitos amam o papa Bento XVI porque \u00e9 claro em seu pensamento e simples em seu modo de ser.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">\u201cUma fonte na pra\u00e7a\u201d \u00e9 um lugar onde se mata a sede de verdade e de comunh\u00e3o. O Ir. Emili gosta dessa \u201cimagem que exprime bem\u00a0<em>o rosto marial da Igreja<\/em>\u201d. Irm\u00e3os e Leigos maristas, somos convidados a ser \u201cfontes na pra\u00e7a\u201d. Assim, sem d\u00favida, encarnar\u00edamos melhor \u201c<em>o rosto marial da Igreja<\/em>\u201d.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Fonte: www.champagnat.org<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Documento do XXI Cap\u00edtulo geral caracteriza-se por uma presen\u00e7a muita densa da M\u00e3e do Senhor. Encontramos Maria quase em todas as p\u00e1ginas. 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